
Tenho trabalhado alguns dias pela manhã. É o melhor a se fazer... quando não há aula na universidade, é claro.
Pela manhã tenho mais disposição, coragem.. e vamos combinar, passa mais rápido do que à tarde, [quando entro na crise das 17h]. Incrível como o relógio atrasa, para, simplesmente não sai do lugar.
Semana passada, numa dessas trocas de horário e uma chuva esmagadora que quase me fez arrepender de ter feito o combinado.. tive que ir de ônibus, ou então, seria o “pinto molhado” do Ministério, que combinado ao ar-condicionado não daria um casamento lá muito bom.
O fato é que, próximo à avenida principal.. passa [Aquela] pessoa.. antes de qualquer olhar arregalado, o “aquela” não faz menção a alguém específico, mas com certeza merece destaque. Olha aí, tô até me expondo mais.. coisa que minha timidez não costuma deixar... tudo bem, talvez porque vocês nunca irão saber quem é [Aquela] pessoa.
Nas mãos, um curriculum. Não deu pra ver muita coisa.. afinal de contas meu sentido superdesenvolvido é a audição. Mas.. o suficiente para justificar seus trajes. Na próxima parada, o curriculum, acompanhado da pessoa interessante, desceu para procurar seu destino. Cá comigo, desejei boa sorte. Não por nada, apenas porque, como uma boa pessoa do contra que sou, gosto de entrevistas de emprego.
Meu frio não é na barriga, geralmente nos pés e nas mãos. Mas gosto da ansiedade. Tudo bem, só fiz 5 entrevistas até hoje. Sei também que, diferentemente do que aconteceu até agora, escutarei muitos nãos e aquele olharzinho bendito “infelizmente a vaga foi preenchida” ou o pior “seu perfil não se encaixa com a nossa empresa”.
O que não suporto nessas circunstâncias é sentir-me resumida num curriculum. Compacta, oferecida, e sim, à venda.
Uma página pra dizer o que sou, e o pior, deixar bem claro o que não sou capaz. Simples e benditas “habilidades”.
E o pior de tudo.. ver a temível criatura analisando meu papel-resumo, bem ali na minha frente.. e ainda ter que ficar tentando interpretar cada sobrancelha que se mexe, um por um movimento da boca.
Pode dizer que sou complexada, mas de fato, não gosto de curriculuns. Tenho sempre uns guardados na gaveta da cama.. afinal de contas, alguns males são necessários. Mas protesto.. sinto-me diminuída!!
Você consegue se resumir numa folha?
Cursos, experiências anteriores, idiomas e uma foto bem feinha, por sinal... por favor, sejam banidos!!
Pessoas como referência é o fim. Qual patrão educadamente centrado vai ficar telefonando para ex-chefes pedindo boas recomendações? E telefones de amigos e parentes que alguns colocam no fim da folha? Se nem seus mais chegados puderem falar bem de você, melhor procurar um psicólogo antes do emprego.
Fora isso, no curriculum deveria constar hobbies, viagens, livros preferidos, músicas trilhas-sonoras e filmes prediletos - seria bem mais fácil conhecer alguém sob esses critérios. Ah, e para alguns, um detector de mentiras em anexo seria muito bem-vindo.
Hoje trabalhei novamente pela manhã.
Conferindo se a chave do meu setor estava na bolsa, a famosa escapadinha com o olhar para a lateral.
[Aquela] pessoa estava lá. Roupas parecidas com as da semana passada.. tá certo, não sou muito observadora, mas era o mesmo estilo.
Simplesmente interessante!
Nas mãos, um papel. Outro curriculum? A pessoa está realmente querendo..
Mas não, documentos corriqueiros de uma empresa.
Percebi o detalhezinho na camisa. Uma farda.
[Aquela] interessante pessoa havia conseguido o emprego.
Pensei... parabéns!
Pela manhã tenho mais disposição, coragem.. e vamos combinar, passa mais rápido do que à tarde, [quando entro na crise das 17h]. Incrível como o relógio atrasa, para, simplesmente não sai do lugar.
Semana passada, numa dessas trocas de horário e uma chuva esmagadora que quase me fez arrepender de ter feito o combinado.. tive que ir de ônibus, ou então, seria o “pinto molhado” do Ministério, que combinado ao ar-condicionado não daria um casamento lá muito bom.
O fato é que, próximo à avenida principal.. passa [Aquela] pessoa.. antes de qualquer olhar arregalado, o “aquela” não faz menção a alguém específico, mas com certeza merece destaque. Olha aí, tô até me expondo mais.. coisa que minha timidez não costuma deixar... tudo bem, talvez porque vocês nunca irão saber quem é [Aquela] pessoa.
Nas mãos, um curriculum. Não deu pra ver muita coisa.. afinal de contas meu sentido superdesenvolvido é a audição. Mas.. o suficiente para justificar seus trajes. Na próxima parada, o curriculum, acompanhado da pessoa interessante, desceu para procurar seu destino. Cá comigo, desejei boa sorte. Não por nada, apenas porque, como uma boa pessoa do contra que sou, gosto de entrevistas de emprego.
Meu frio não é na barriga, geralmente nos pés e nas mãos. Mas gosto da ansiedade. Tudo bem, só fiz 5 entrevistas até hoje. Sei também que, diferentemente do que aconteceu até agora, escutarei muitos nãos e aquele olharzinho bendito “infelizmente a vaga foi preenchida” ou o pior “seu perfil não se encaixa com a nossa empresa”.
O que não suporto nessas circunstâncias é sentir-me resumida num curriculum. Compacta, oferecida, e sim, à venda.
Uma página pra dizer o que sou, e o pior, deixar bem claro o que não sou capaz. Simples e benditas “habilidades”.
E o pior de tudo.. ver a temível criatura analisando meu papel-resumo, bem ali na minha frente.. e ainda ter que ficar tentando interpretar cada sobrancelha que se mexe, um por um movimento da boca.
Pode dizer que sou complexada, mas de fato, não gosto de curriculuns. Tenho sempre uns guardados na gaveta da cama.. afinal de contas, alguns males são necessários. Mas protesto.. sinto-me diminuída!!
Você consegue se resumir numa folha?
Cursos, experiências anteriores, idiomas e uma foto bem feinha, por sinal... por favor, sejam banidos!!
Pessoas como referência é o fim. Qual patrão educadamente centrado vai ficar telefonando para ex-chefes pedindo boas recomendações? E telefones de amigos e parentes que alguns colocam no fim da folha? Se nem seus mais chegados puderem falar bem de você, melhor procurar um psicólogo antes do emprego.
Fora isso, no curriculum deveria constar hobbies, viagens, livros preferidos, músicas trilhas-sonoras e filmes prediletos - seria bem mais fácil conhecer alguém sob esses critérios. Ah, e para alguns, um detector de mentiras em anexo seria muito bem-vindo.
Hoje trabalhei novamente pela manhã.
Conferindo se a chave do meu setor estava na bolsa, a famosa escapadinha com o olhar para a lateral.
[Aquela] pessoa estava lá. Roupas parecidas com as da semana passada.. tá certo, não sou muito observadora, mas era o mesmo estilo.
Simplesmente interessante!
Nas mãos, um papel. Outro curriculum? A pessoa está realmente querendo..
Mas não, documentos corriqueiros de uma empresa.
Percebi o detalhezinho na camisa. Uma farda.
[Aquela] interessante pessoa havia conseguido o emprego.
Pensei... parabéns!




